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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Trava-línguas


Enquanto Moses supõe que seus dedos são rosas, meu dedos, que não são rosas (e nem suponho isto) fazem rosas.

Mas eu sei que meus dedos não fazem rosas de verdade, apenas um folhado que parece uma rosa.

Rosas de massa e maçã não são rosas, mas massa e maçã podem parecer rosas, desde que massa e maçã sejam preparadas em formato de rosas.

rosas folhadas de maçã

Corte 2 maçãs em finas fatias. Mantenha a casca, tire os caroços. Pingue gotas de limão para que não oxidem e escureçam. Em uma panela, 3 L de água, 1 xícara de açúcar e coloque as fatias de maçãs para ferver por aproximadamente 5 minutos.

Escorra as maçãs e reserve.

Abra a massa folhada até que fique bem fininha, aproximadamente 2mm, e corte em tiras de 5 cm de largura por 20 cm de comprimento. Há quem opte por pincelar uma fina camada de geléia sobre a massa nesta etapa da receita. Dizem que sem a geléia as rosas ficarão secas, e ninguém gosta de rosas secas, mas eu prefiro dispensar a geléia, porque acho que a geléia umedecerá a massa e dificultará o cozimento, mas o critério é pessoal e intransferível.

Tiras de massa pronta, maçãs cozidas, disponha as maçãs longitudinalmente sobre a massa de forma ordenada, sempre a partir da metade da massa para cima. Coloque a primeira fatia com a parte da casca para fora da massa mesmo. A segunda fatia de maçã deve ser colocada na mesma posição da anterior, mas a partir da metade do comprimento da primeira e assim por diante até o final da tira de massa formando uma fila bem comportada. Polvilhe açúcar e canela sobre as fatias de maçãs. Dobre a parte de baixo da massa sobre as maçãs e enrole da ponta final até o início. Parecerá uma rosa!

Difícil de explicar, fácil de fazer!

Unte uma forma redonda pequena, de pão de mel ou cupcake, e coloque as rosas folhadas delicamente para que não percam o formato.

Polvilhe mais açúcar e canela sobre as rosas e leve ao forno preaquecido em temperatura média (180º) por aproximadamente 30 minutos. É importante que a massa cozinhe lentamente para que o miolo (onde a concentração de massa é maior) não fique cru. Caso o forno tenha a opção de cozimento superior e inferior mantenha somente no inferior por tempo prolongado para que a massa fique bem crocante na parte de baixo.

A mamãe mafagafo levou as rosas para seu ninho e os cinco mafagafinhos sentiram-se capazes de desmafagafizar rapidamente.

Três tigres deixaram de ser tristes depois de colocarem de lado os pratos de trigo e provarem essas rosas.

O rato esqueceu de roer a roupa do rei de roma para roer rosas folhadas.

Mas principalmente, Moses deixou de supor que seus dedos eram rosas, pois queria comer as rosas e não poderia comer rosas que fossem dedos.

Porque Moses é Moses.
Rosas são rosas.
Dedos são dedos.
E doces são doces independente da forma que tenham.


Ingredientes

Rosas folhadas de maçã.
2 maçãs
1 Pacote de massa folhada 500g
1 xícara de açúcar
Açúcar e canela para polvilhar

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Hoje é sexta-feira

Sexta-feira é dia de cerveja.
Para minha mãe é mais do que isso. É dia também, de limpar a geladeira.

E porque não limpar a geladeira preparando muitas gostosuras para acompanhar a cerveja?

Segunda-feira ela fez uma feijoada light e fritou muitos torresmos. Tantos que nem demos conta de comer tudo. Jogar comida fora é errado, torresmo então, me parece duas vezes mais grave.

Então ela moeu no processador os torresmos já fritos em pedaços não muito pequenos. E fez um delicioso pão de torresmo.

Para fazer o pão ela começou colocando 4 colheres de farinha, 30g de fermento biológico e meio copo de água em uma vasilha, misturando bem.

Deixou fermentar por cerca de 20 minutos e só então acrescentou 2 ovos, 3 colheres de manteiga, 1 colher de sopa de açúcar, 1 pitada de sal e os torresmos e então sovou bem.

Muito braço depois, hora de deixar descansar por meia hora. Amassar mais e modelar o pão no formato que mais lhe agradar.

Umedecê-lo e deixar descansar até dobrar de tamanho. Levar ao forno aquecido em 200° por meia hora.

Reaproveitamento da melhor qualidade. Pão macio e saboroso.


Um pedaço de ricota que estava na geladeira há dias também foi aproveitado e transformou-se em um delicioso paté para acompanhar o pão.

Para fazer o paté basta misturar bem todos os ingredientes desejados, ela usou ricota, 5 colheres de requeijão cremoso, 1 pitada de sal, azeite, manjericão, alecrim, orégano, pimenta e claro, salsa e cebolinha.

Em patés de ricota sempre acho que algo crocante combina bem. Nesse caso uns pedacinhos de nozes teriam harmonizado de forma bastante agradável.

Tudo regado a muita cerveja.
Tomamos hoje a cerveja Baden Baden 1999. Uma Bitter Ale de cor meio avermelhada e sabor marcante.


Continuando na limpeza da geladeira e evitando desperdícios.

Minha mãe não curte fazer bolinhos de arroz por causa da fritura. Hoje ela encontrou uma alternativa, torta de arroz.

Bater no liquidificador 3 ovos, 1 xícara de leite, 1/2 xícara de óleo de canola, 3 colheres de farinha de trigo, 3 colheres cheias de queijo ralado, sal a gosto e uma colher de fermento. Depois que tudo estiver bem batido acrescentar 3 xícaras de arroz já cozidos (aquelas pequenas sobras da semana) e bater rapidamente no liquidificador.

Misture agora, sem bater no liquidificador, presunto picado, orégano, azeitonas e mais queijo picado.

Levar ao forno até dourar.


Sabe aqueles eventos onde meninas levam um prato de comida e meninos levam as bebidas?

Na hora que comi a torta me veio um desses eventos na cabeça. Perfeita. Fácil de fazer, saborosa, suculenta e fácil de transportar se cortada em pedaços em uma tupeware.

Mas um bom jantar só termina na sobremesa.

E para a sobremesa ela escolheu um clássico francês para reaproveitar as maçãs da fruteira.

Picar 4 maçãs em fatias e levar a uma panela com açúcar e umas gotinhas de suco de limão. Misturar canela a gosto. No caso muita canela por ser o gosto daqui de casa.

Cobrir essa frigideira onde as maçãs foram cozidas com massa folhada e levar ao forno bem quente até que a massa esteja bem dourada e crocante, importante que o cabo da frigideira seja próprio para ir ao forno.

Virar a torta sobre um prato e acrescentar um pouco de creme de leite.








A melhor parte da sexta feira é saber que o fim de semana está apenas começando.

Haja academia na semana que vem.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ano da França no Brasil

Ao invés de almoço, um jantar.

Já que 2009 foi o ano da França no Brasil, resolvemos fazer deste o nosso tema.

Nesse jantar tivemos uma convidada. A Letícia, amiga da época de colégio e que não resistiu ao cardápio. Mas para comer tem que trabalhar. Então a fizemos arregaçar as mangas e picar, descascar, fatiar. Trabalho que segundo ela, valeu a pena. E saiu tão empolgada que até nos sugeriu começar a fazer jantares para outras pessoas ou algum esquema do gênero.

Quem sabe um dia?
Mas não hoje. Hoje é dia de contar história. A começar pelo cardápio escolhido.

Cardápio

Entrada: Mini abóboras recheadas de creme de palmito e cestinhas de parmesão com salada.
Prato Principal: Risoto de pato
Sobremesa: Folhado de maçã

Ah! As mini abóboras. Além de serem deliciosas são pequenininhas. Na medida certa de uma porção individual. Uma graça, nos apaixonamos pelas abóboras.


E claro, mais uma vez um pequeno conflito na escolha do cardápio. Eu já mencionei que não gosto de frutos do mar?
Pois é. Nada de mini abóboras recheadas de camarão. Tiveram que se contentar com creme de palmito. Mas ninguém pôde reclamar. Caprichei no creme. Tanto que além de comer o do recheio da abóbora teve quem acabou pegando umas colheradas adicionais. Nada como preparar o jantar em casa. Em qual restaurante teríamos um chorinho desses?

Vamos à receita.

1 cebola, azeite, alho poró, queijo parmesão, 1/2 lata de creme de leite ( ou uns 100gr de creme de leite fresco), 1 vidro de palmito, salsinha e sal.

Refoguei a cebola no azeite, coloquei o palmito picado bem miudinho, refoguei bem. Acrescentei o creme de leite, sempre mexendo. Coloquei o parmesão ralado. Hora do sal. Tirei do fogo e acrescentei a salsinha e o alho poró para finalizar.


O preparo das abóboras. Tirei a tampinha delas com uma faquinha de ponta, e com uma colher fui retirando o miolinho das abóboras. Até tentamos plantar as sementinhas no jardim, mas somos melhores de cozinha do que de jardinagem. Nem preciso falar que não nasceu nada.

Então coloquei em uma panela com água e fervi, com elas de cabeça para baixo, até ficarem macias.

Quando estavam macias tirei da água, coloquei o recheio dentro o quanto coube, cobri com queijo e levei ao forno para gratinar.


Mas quem disse que nos contentamos só com as abóboras de entrada? Estávamos com vontade de testar algumas idéias. E foi minha irmã quem decidiu fazer casquinhas de parmesão para servir uma saladinha junto com as abóboras.

Em uma frigideira bem quente colocou as tiras de parmesão e as arrumou para que formassem um círculo. Depois que o queijo já estava bem douradinho tirou da frigideira e colocou sobre o fundo de uma xícara pequena. Para que as casquinhas ficassem modeladas neste formato.


Dentro das cestinhas de parmesão servimos alface picada, com nozes também picadas e uma fatia de carambola. De tempero não inventamos não. O azeite e sal básicos já foram suficientes.


Fantásticas. Mas fizemos as cestinhas de parmesão no início dos preparativos. O que fez com que na hora de saborearmos, elas já não estivessem crocantes como gostaríamos. Então fica a dica. Quando for fazer cestinhas de queijo é bom preparar e servir em seguida, para não perder essa crocância.

Agora o prato principal.
Temperamos o pato com alho, azeite, vinho branco e deixamos marinando. Refogamos o pato em azeite, fritando bem, com os pedaços grandes mesmo. Colocamos água suficiente para cobri-lo e deixamos lá até cozinhar.


Depois de cozinhar fatiamos a carne em tirinhas. E caramelizamos em uma frigideira. Só açúcar mesmo.


Aquela água em que cozinhamos o pato usamos para o risoto.
O preparo do risoto.
Cebola refogada no azeite. Colocamos o arroz arbóreo, refogamos um pouco e acrescentamos meia taça de vinho branco. Um pouco da água do cozimento do pato e o caldo de uma laranja. Fomos colocando a água até cozinhar o arroz. Mais ou menos na metade do cozimento acrescentamos o pato caramelizado.
No final o queijo parmesão ralado, corrigir o sal e acrescentar uma colher de manteiga.

Nem preciso falar que o resultado foi sensacional. Só de lembrar do sabor do risoto já fico com água na boca.


E dessa vez eu não só sei qual foi o vinho que bebemos como tenho até uma curiosidade para contar.

Bebemos o Carmenere chileno Casillero Del Diablo.

Casillero del Diablo quer diser "a adega do diabo". Esta vinícola teve em seu começo problemas com alguns barris de vinho que sumiam. Então o dono da vinícola inventou que a adega era na verdade a casa do diabo, e com isso conseguiu fazer com que os ladrões ficassem com medo de serem castigados pelo diabo e então, os sumiços pararam.

O nome da vinícola ficou Casillero del Diabo por causa dessa história. Além disso o que posso dizer é que é um vinho muito bom e que harmonizou bem com o risoto por seu gosto marcante.

Hora da sobremesa.
Folhados de maçã. Não, não fizemos a massa. Massa folhada ainda não está na lista de coisas que queremos aprender a fazer. Massa pronta, daquelas congeladas de supermercado mesmo. Mas o que faz a diferença é o recheio, não é mesmo?

Maçãs, fatiadas, caramelizadas, sem flocos crocantes, mas com um pouquinho de limão para quebrar o doce, deixar as maçãs bem cozidas. Rechear as massas, fechar como um pastel e levar ao forno para que fiquem bem douradinhas e crocantes. Guardamos a calda das maçãs para servir junto com o folhado e o sorvete de doce de leite com que o acompanhamos.


Jantar perfeito do começo ao fim. Cada um deu o seu toque pessoal. E o jantar agradou a todos.
Estar entre pessoas que gosto, cozinhar, saborear, beber um vinho, isso é gastronomia doméstica da melhor qualidade.